Caro Desconhecido,
Eu sempre saio de casa na esperança de que algo que mude a minha vida aconteça. E hoje não foi diferente, mesmo estando em outro estado do país, de férias. E, confesso, o ânimo com que comecei o passeio de hoje foi se esvaindo ao longo do dia, que abrigava um céu cinza e desanimador. A chuva lançava em mim pequenas ondas de melancolia, enquanto eu me dirigia ao último ponto turístico do passeio. E quando cheguei lá... Ah! Não sei se consigo explicar. Eu simplismente vi você. E o achei... lindo. Não só por causa do seu corpo terrivelmente bem esculpido; mas algo misturado com teu sotaque igualmente lindo me hipnotizou. E você estava ali, designado a explicar sobre a erva típica, a erva mate, da região. Acho que não consegui prestar muita atenção em nada, a não ser nos olhares furtivos que você me mandava. E eu gostei. E gostei mais ainda quando você fez questão de passar do meu lado e esbarrar em mim. Eu o encarei, procurando qualquer vestígio de interesse em seus olhos, enquanto você fitava os meus, tentando murmurar desculpas. E ficamos assim, parados, nos olhando, por um tempo. Ambos estávamos ocupados, analisando um ao outro, gravando na memória o contorno dos olhos, da boca, do rosto que nos fazia tão perfeitos naquele momento. Após segundos intensos, caímos na real. E os acompanhantes que faziam o passeio comigo também. O passeio tinha que continuar, então, prosseguimos. Você assumiu um ar mais espontâneo, ensinando como preparar um chimarrão. Eu o via preparar a erva mate, manusear a água quente e, em segundos, deixar a bebida pronta. Você explicou que, como uma tradição, quem preparava a bebida era o primeiro a provar. E eu apenas observava enquanto você grudava seus lábios na bomba de metal, sugando a bebida. E aí, sem palavras, você me estendeu a cuia. Recusei, pois odeio chimarrão. E notei, pela sua expressão, que você ficou decepcionado com a recusa. Não, eu não aguentaria vê-lo assim! Tomei a cuia de suas mãos e coloquei meus lábios na bomba, onde antes estavam os seus. E, isto pode parecer ridículo, mas foi como se nossas bocas estivessem juntas, se provando. Fechei meus olhos. O gosto amargo da erva rapidamente me inundou. Devo ter feito uma careta, porque ouvi sua risada, rouca. Abri meus olhos. Não havia sorriso mais bonito do que o seu! Era... relaxante ver você sorrindo. Você veio retirar o copo de minhas mãos, não sem antes acariciar as minhas. Estremeci ao seu toque. Ninguém reaparou na nossa sintonia; estavam todos muito maravilhados com a erva e seus feitos, enquanto a única coisa que eu desejava era você, a sua erva do amor. De repente, sem mais nem menos, eu tinha que partir, o passeio acabara. Foi aí que me adiantei para falar a única palavra dita pra você: "Tchau". Me aproximei para eternizar aquele momento tão singular em um beijo estalado na sua bochecha. E você também se aproximou, parando a mílimetros de mim. Eu podia sentir o cheiro da erva impregnado em sua roupa, em sua boca, em seus cabelos. Você segurou minha mão, aproximou seus lábios do meu ouvido e sussurrou: "Tchau". Você me fez fechar os olhos pela segunda vez no dia, enquanto pressionava seus lábios contra minha orelha, numa espécie de beijo demorado. Deus, eu não queria ir embora, não queria perdê-lo! Como eu podia sentir algo tão forte por um desconhecido, uma pessoa que eu tinha visto pela primeira vez na vida não fazia nem vinte minutos? Enquanto permanecíamos em silêncio, os sentimentos fluíam, rolavam. Uma buzina soou do lado de fora do galpão onde estávamos. Você se afastou, ainda me encarando. Eu não queria ir para o lado errado, o lado oposto a você. Mas a buzina soava ainda mais urgente, mais insistente. Todos estavam no carro, prontos para partir, só faltava eu. E, como se fosse a coisa mais difícil nesse mundo, eu te dei as costas, em direção ao automóvel. No meio do caminho, olhei para trás e você me observava do galpão, com aquele sorriso lindo de tirar ao fogo, e levando a sua mão, fechada, ao coração. E eu senti uma imensa vontade de te beijar, de largar tudo, correr ao seu encontro e me enroscar em você. Mas não. Eu, como uma perfeita humana, apenas retribui o sorriso, também levando a mão no coração. Seu sorriso ficou ainda mais lindo (se é que isso era possível) quando viu meu gesto. E eu, definitivamente, entrei no carro e prossegui viagem, com uma súbita e forte vontade de chorar. Porque, no fundo, ambos sabíamos que dificilmente iríamos nos ver de novo.
E, agora, aqui estou eu, esperando meu café preto e puro esfriar, aninhada em uma cadeira, pensativa. Que coisa mais louca! Foi tudo tão intenso, tão... maravilhoso! E me dei conta de que eu não sei seu nome, nem sua idade, signo ou telefone. Mas acho que sei coisas muito mais profundas sobre você. Por exemplo, sei que sua voz, seu olhar e seu toque são suficientes para fazer alguém feliz, completo. Sei que você é digno de amor, por retribuí-lo e acendê-lo em uma turista desconhecida, por ser tão amável.
Eu gostaria que você pudesse ler isso agora e saber o quanto foi especial aquele momento. É claro que me pergunto se você realmente sentiu toda aquela sintonia; mas a dúvida e a incerteza é o qu vão fazer com que eu me lembre sempre de nós dois. E também queria que você soubesse o quanto eu vou desejar, durante a minha vida, te reencontrar pra dizer que, durante aqueles 20 minutos você conseguiu fazer o que ninguém mais conseguiu: fez eu me sentir viva.
Você já é parte de mim.
E são pessoas assim, como você, que fazer a vida valer a pena.
Com amor,
A paulista sem graça que não curte chimarrão.
7 comentários:
Pura intensidade ! Gostei muito viu. Soube bem descrever um momento muito bem. Parecia até que eu estava na história, vendo tudo aquilo. Meus sinceros parabéns !
Pura intensidade ! Gostei muito viu. Soube bem descrever um momento muito bem. Parecia até que eu estava na história, vendo tudo aquilo. Meus sinceros parabéns !
Uau. Eu senti cada coisa que você descreveu, foi como se a história fosse minha e eu fizesse parte dela. Incrível. Não conhecia o blog ainda, mas gostei muito, de verdade, estou seguindo. Parabéns.
Apaixonante. eu senti cada coisa que você descreveu [2]. lindo amiga, parabéns, mesmo ! <3
nossa carol q história intensa, gostei muito dessa historia e saiba q vc conquistou + 1 fã pro seu blog, meu primo q esta do meu lado.ele gostou tanto q quase chorou por não fikarem juntos.
axo q vc foi boba de não ser vc mesma, mas te entendo faria a mesma coisa...
tenhu certeza q vc ira reencontra-lo pois quando é pra ser é, e pela história senti q tem q ser.
e ser não for com ele(o q é difícil) pode ser comigo ^^
hauhauahuahauhauahua... bjus te amovc mora no meu coração,e não quero nunca,jamais perder vc!!!!!
conta sempre comigo ;D
nossa você tem um jeito de escrever que encanta muito, parabéns e conserve cada vez mais essa vontade de escrever bejos D:
Carol, *_*
você escreve muito bem, é simplismente encantador, o seu jeito de escrever me inspira, girl!
Parabéns.♥
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