domingo, 12 de setembro de 2010

Quem eu não quero ser


E o dia acaba, e as horas passam, e o tédio sempre presente, o mundo sempre a girar e eu sempre a me perguntar: Quem sou eu e o que eu quero?

Porque perguntas existencialistas sempre aparecem na cabeça de quem não está preocupado com as futilidades dos homens. E quem se ousa a tentar responde-las, é pejorativamente denominado de insano. E insanidade, aos olhos da sociedade, é falta de humanidade. E o sentido da humanidade era tudo o que esse insano procurava achar para apagar borrões pretos e brancos sem desenhos e explicações de sua vida.

Quero apenas não necessitar dessa nota suja e de odor ruim que manipula todos os sentimentos dessa tão destoada espécie; quero apenas não necessitar chegar a essas perguntas sobre existência e retroceder, tentando achar respostas em pós e picadas; quero não necessitar destruir sentimentos alheios, vidas alheias; desejo apenas não necessitar de nada disso para encontrar o que me aquece a alma e me atribua algum sentido.

E cada vez que eu penso mais sobre tudo, sobre a vida, sobre tudo, me desapego, de sentimentos, de matérias, de pessoas e enxergo, lá na frente, num futuro longíquo, uma ser oco de e sobrevivente da tão quente luz do sol e da tão suja água dos rios, com um pedaço de pano roto a lhe cobrir o corpo e um cheiro exalado de uma flor, lhe lembrando um sentimento que, numa vida caótica e passada, denominavam felicidade.

Felicidade!

O estado natural de um mundo que deveria ser natural.

Insana é quem eu não quero ser.

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